A Terapia Metabólico Cetogênica é uma intervenção nutricional que utiliza uma dieta muito baixa em carboidratos (geralmente menos de 50g por dia), moderada em proteína e muito rica em gorduras saudáveis. O objetivo é colocar o corpo em um estado chamado de cetose, onde, na ausência de glicose (açúcar) proveniente dos carboidratos, o fígado começa a produzir corpos cetônicos a partir da gordura. Esses corpos cetônicos (acetona, acetoacetato e beta-hidroxibutirato) tornam-se a principal fonte de combustível para o cérebro, substituindo parcial ou totalmente a glicose.
A hipótese é que a cetose oferece um combustível mais eficiente e estável para o cérebro. A glicose causa picos e quedas no açúcar no sangue, o que pode afetar o humor e a energia. Os corpos cetônicos, por outro lado, fornecem uma energia constante, reduzindo a "névoa mental" e os ataques de irritabilidade. Além disso, a dieta cetogênica tem efeitos biológicos profundos: reduz a inflamação no cérebro, aumenta a produção de GABA (um neurotransmissor calmante) e melhora a função mitocondrial (as usinas de energia das células). Essas mudanças podem estabilizar o humor, reduzir a ansiedade e melhorar a clareza cognitiva. É uma abordagem complementar, usada junto com tratamentos psicológicos e/ou medicamentos, e deve ser feita sob supervisão médica e nutricional.
A dieta cetogênica é um tratamento bem estabelecido para epilepsia refratária, especialmente em crianças. Na saúde mental, a evidência é promissora, mas ainda emergente. Estudos e relatos clínicos sugerem benefícios para transtorno bipolar, ajudando a estabilizar o humor e reduzir os ciclos de mania e depressão. Também mostra potencial para esquizofrenia, com relatos de redução de sintomas positivos como alucinações. Pode ajudar em depressão grave, TEA (Transtorno do Espectro Autista), melhorando a concentração e reduzindo comportamentos compulsivos, e em TDAH, aumentando a atenção. Pesquisas também indicam efeitos ansiolíticos. No entanto, ensaios clínicos em larga escala são escassos, e a dieta é difícil de manter a longo prazo. Ela não é uma cura, mas uma ferramenta poderosa que pode potencializar outros tratamentos para quem se beneficia dela.